terça-feira, 7 de junho de 2016



A nuvem e a chuva


Havia um rio chamado Prosperidade, que era o abrigo de diversos tipos de peixes.
Num certo verão, o calor levou para o céu muitas gotículas de água do rio. E elas logo formaram nuvens carregadas diversas.
Embora as nuvens estivessem deslizando-se formando manchas escuras na atmosfera, elas recusavam-se a precipitar-se, pois estavam esperando as ordens da natureza.
Foi então que o rio começou a secar, mas os peixes nem perceberam. A vida parecia boa demais para se preocuparem com qualquer coisa.
Assim foi nos dias seguintes, por cinco longos meses até que o rio ficou muito raso.
Então, finalmente a gravidade autorizou e muitas gotas foram cumprir seu papel, caindo com muita força em muitos lugares.
Mas uma das nuvens não ouviu o aviso porque estava dormindo. Afinal o sinal para a chuva estava demorando tanto que achou que poderia descansar um pouco.
Acontece que aquela era a nuvem que tinha sido designada para regar o Prosperidade. E,como não rompeu no tempo certo, foi levada para outro lugar.
Então o rio secou e morreu, juntamente com todos os peixes que nele habitavam.
E a nuvem ficou tão triste, mas tão triste que chorou copiosamente. E onde suas gotas caíram formou-se um grande mar intitulado até hoje de Lamentações.





sexta-feira, 3 de junho de 2016



Aliança de ouro

Era uma vez um homem sábio que estava muito doente. Sua única família era seu pequeno filho de nove anos, Estêvão.
Antes de morrer, o sábio mandou chamar o filho ao seu leito e entregou-lhe uma aliança de ouro.
-Tome, meu filho. Este anel não é comum. Pertenceu a nossos ancestrais  e quero que fiques com ele.Quando tiveres vinte anos, poderás acessar seus poderes. Aponte-o para a constelação de Fornax e irás ao Mundo do Ouro. Lá, encontrarás muita riqueza. Mas lembre-se que a melhor escolha definirá tua maior riqueza.
Assim, o menino foi crescendo e quando completou vinte anos, decidiu testar o poder do anel. Seguindo as orientações do pai, começou a ir diariamente ao Mundo do Ouro até se tornar o homem mais rico do mundo.
Adquirira muitas mansões, carros e tudo o que o dinheiro podia comprar. Parecia nunca estar satisfeito, acumulando cada vez mais fortunas e bens materiais.
Mas Estêvão não estava disposto a compartilhar seu segredo.Temia que se mais alguém soubesse, pudesse tomar sua aliança.
Um dia, ele conheceu Aurora, uma moça que fez seu coração disparar intensamente. Mas ela não retribuía suas investidas.
O jovem, contudo, não queria desistir. Tentou conquistá-la de todas as formas que pôde. Presenteou-a com caras jóias, carros, convites a passeios e lugares incríveis e os vestidos mais lindos.Mas nada disso convenceu-a. 
Por isso, ele começou a ficar muito triste.
-Eu posso comprar qualquer coisa, menos o amor de Aurora. -Lamentava-se.
Então, mesmo cansado, decidiu tentar mais uma vez.
Foi até a casa da moça e , ajoelhando-se a sua frente disse:
-Minha linda donzela, até hoje acreditei que tinha tudo, mas hoje sem ti, me sinto miserável. Sou capaz de renunciar a todo meu ouro se aceitares ser minha esposa.
E a jovem respondeu:
-Sim, eu aceito.
-Como?-Perguntou Estêvão imaginando que não tivesse entendido.
-Sim, eu também te amo! Nunca confessei-me porque desejava que teu coração estivesse nas coisas que mais importam, relacionadas ao amor. E agora vejo que estás mudado. Por isso eu...
Mas a moça não pôde completar a frase porque Estêvão a beijou.
E retirando sua aliança, colocou no dedo da moça prosseguindo seu discurso:
- Como prova de meu amor...
Foi então que sua fala foi interrompida com uma forte vibração em forma de ondas douradas que se espalhavam em cada canto da casa.
E antes que pudesse entender, notou que os raios haviam dominado tudo. Ele não precisaria mais viajar. Seu próprio mundo agora era o Mundo do Ouro. Todos seriam ricos.
Mas agora sim ele se considerava o mais rico de todos, pois tinha o amor de Aurora.

quarta-feira, 1 de junho de 2016







O último oxigênio


Celine era uma mulher de meia idade que morava sozinha numa linda casa no campo. Ela não se casara porque nunca se esqueceu de seu grande amor:Rodolfo, seu melhor amigo da juventude.
Uma noite, quando já estava pegando no sono, percebeu uma luz na varanda. 
"Que estranho"-Pensou. "Eu tinha certeza que já havia apagado todas as luzes da casa".
Até que de repente a porta da sala bateu com forças. Ela desceu as escadas. Mas pela janela não viu ninguém.
"Pode ter sido o vento" Tranquilizou-se ao voltar para seu quarto.
Foi então que as batidas na porta aumentaram, assim como a intensidade da claridade, que ampliava-se agora por cada cômodo da casa, como se alguém estivesse acendendo todas as luzes sucessivamente.
Teve tanto medo que escondeu-se por debaixo das cobertas.Até que ouviu uma voz chamá-la:
-Celine, sou eu.
Conhecia bem essa voz. Era exatamente igual a de quem ainda estava tão presente dentro dela. E teve uma sensação que não tinha a muito tempo, desde que seu amado a rejeitara. 
-Rodolfo?- Disse assustada a mulher ao tirar do rosto uma manta quente de lã.
-Sim, sou eu. E vim buscá-la. A Terra será destruída hoje a noite e sou um dos escolhidos para salvar os preparados.
-Os preparados?
-Sim, os justos- disse o homem.
-Mas e sua esposa? E seus filhos?
-Eu não formei uma família ainda.
-Sério?Perdemos tanto contato que eu nunca soube.
-Sim, e precisamos ser rápidos.
-E para onde nós vamos?
-Para um abrigo. Esse mundo sofrerá por dois dias um ataque semelhante a de bombas atômicas que sugarão todo o oxigênio e vida existente.
Assim, o homem pegou a mulher pelo braço e a levou para dentro de uma espécie de caixa de pedras fechada.
-Aqui- Disse ele- estamos salvos.Há oxigênio suficiente para dois dias, mas minha missão era compartilhá-lo com alguém e escolhi você.
-Eu? Por que você me escolheu?Nós nem somos mais...
-Amigos?- O homem completou com uma pergunta.
-Sim- Respondeu a mulher.
-Mas a verdadeira amizade é eterna. Nunca te esqueci, Celine.
-Eu também não, Rodolfo.
-Senti sua falta de verdade por todo esse tempo e nunca tive coragem...
-Coragem?- Quis saber a mulher corando um pouco.
-Sim- Disse o homem apoiando suas mãos sobre as dela.
-Eu te amo, celine. E sempre te amei, não só como amigo. Me desculpe por...
Mas a frase não pôde ser completada porque a mulher beijou-o entre lágrimas.
Em seguida ela disse: 
-Agora eu sei que o amor é como o oxigênio. E obrigada por ter guardado ambos para mim. 







sábado, 28 de maio de 2016

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O vaga-lume que não piscava

Era uma vez um vaga-lume que não piscava. Por isso muitos vaga-lumes faziam chacota dele dizendo:
-Acho que sua lâmpada está quebrada. Por que não vai trocá-la? 
Mas o Vaga-lume nem ligava para as gozações. Simplesmente voava acompanhando a família. Gostava também de auxiliar outros do grupo a se manterem unidos usando outros recursos já que não dispunha de luz. Com a deficiência, criou técnicas de canto, dança e outros códigos de comunicação. Até escreveu um livro em que ensinava habilidades que poderiam ampliar o uso dos sentidos para além da visão.
Devido a sua inteligência e preocupação com os semelhantes, mesmo com os preconceitos sofridos, tornou-se muito querido.
Certo dia houve uma grande tempestade na região em que a comunidade Pisca-Pisca se reunia. Durante a tormenta, um forte raio caiu atingindo o vaga-lume sem luz. Para o espanto de todos, ele não morreu, mas estava mais vivo que nunca. Ele brilhava agora como nenhum outro do bando. 
E logo, tornou-se o líder dos vaga-lumes.

sexta-feira, 27 de maio de 2016







Morbis


Certa vez, uma princesa estava cavalgando por uma floresta e apareceu em sua direção uma enorme cobra. Seu cavalo, tentando esquiva-se dela, ficou muito agitado, pondo-se a correr desesperadamente.
Mas um belo camponês, montado em seu cavalo, perseguiu o outro com muita rapidez. Até que, encostando sua montaria ao lado da princesa, conseguiu frear o cavalo assustado.
Depois de uma breve conversa e encontros na alta torre do castelo de Crowney com a companhia de seu amigo Ulisses, eles se apaixonaram.
 Mas a mãe da princesa, que era uma rainha muito vaidosa, não aceitava que a filha se casasse com alguém de classe inferior.
Então, um dia ela foi até a casa do rapaz e, fingindo aprovar a relação ofereceu-lhe uma garrafa de suco de laranja natural. Mas era uma poção modificadora. Quem a bebesse se transformaria no que mais temia e não poderia mais morrer.
Nos primeiros goles, o rapaz transformou-se numa criatura que ele chamava de Morbis e que só existia em seus pesadelos. Ele era surpreendente: um tipo de pantera alada exuberante com esqueletos amarelo neon brilhantes sob uma viscosa pele negra. Tinha os dentes caninos avermelhados e olhos que faiscavam o verde das relvas matutinas. 
Como a princesa não sabia o que tinha acontecido, ficou muito triste, achando que seu amado tivesse abandonado-a. Seu desgosto foi tão grande que ela nunca mais quis se casar.
Mas por todos os dias da vida da moça, a pantera a acompanhou, a protegeu e a guiou, tornando-se sua principal companheira.
Depois de séculos e séculos Morbis ainda vive na torre mais alta do castelo.
E devido a sua aparência assustadora ninguém ousa aproximar-se da torre. mas sua luz funciona como um belo projetor durante a noite, que conta a história de um eterno amor.














terça-feira, 24 de maio de 2016

O reino das formigas






O reino das formigas

Havia um reino de formigas chamado Formigacao, pois nele todos eram ensinados a trabalhar por obrigação.
Nele vivia um rei ditador que amedrontada todo o povo. Ele os forçava a trabalhar como escravos com a ameaça do desobediente ser atirado à cova do tamanduá. 
Um dia uma jovem formiga muito bondosa de nome Duana que havia trabalhado o dia inteiro parou para ajudar uma companheira que também estava muito cansada. Mas o calor do dia e a exaustão fizeram Duana desmaiar.  
Logo, o exército do rei a encontrou esparramada numa folha de carvalho  e levou- a à presença do rei.
-Esta escrava foi vista em ociosidade, portanto, descumprindo as tuas ordens, oh, poderoso rei!- Disse o general.
-Hoje mesmo terá um julgamento perante o povo e veremos o que a acontecerá- respondeu o ditador.
A formiguinha começou a suar frio. Estava com muito medo de seu destino.
E no julgamento, depois da votação dos súditos do rei, que foram em maior parte a favor da cova chegou a vez do povo, que ressoou em uníssono:
-Tamanduá, tamanduá!
Estava decidido. A pobre formiga não veria o sol nascer no dia seguinte. Sua cabeça seria a próxima refeição de seu pior inimigo.
Então, no momento em que a formiguinha Duana foi atirada à cova, ela fechou os olhos. Seria para ela imprudente ver um final tão doloroso. Achou melhor ater-se a apenas senti-lo, já que isso seria inevitável mesmo.
E com os olhos cerrados, manteve-se quieta, esperando a passagem para o outro mundo. Passou-se o que pareceu um, dois, dez minutos em seu cálculo mental e nada, absolutamente nada aconteceu.
Foi então que abriu os olhos. Um tamanduá gigante a espreitava com os olhos bem abertos.
-Espere- disse ela ao mamífero- Você não vai me matar?
-Shh, vc não quer que escutem isso, né? respondeu o tamanduá.-
Dito isto, o gigante a tomou em sua pata e a levou para um grande buraco que havia cavado. E desceu com ela por ele. Até que chegaram a uma passagem secreta que dava para um lugar onde haviam muitas formigas.
E a formiguinha Duana ficou muito feliz de ainda estar viva e também quando descobriu que aquela era a habitação de todos os que haviam sido lançados à cova.
Soube ainda que o tamanduá era amigo das formigas e se alimentava de plantas silvestres da floresta, nesse lugar de refúgio.
Mas a jovem formiga desejou que todos os escravos de Formitenas também tivessem liberdade. Por isso, criou um plano para salvá-los.
Voltou disfarçada para sua terra e, escondida das vistas do rei, fez com que todo o povo soubesse o que estava acontecendo.
No dia seguinte, houve uma grande rebelião em todo o reino. Nenhum dos do povo queria trabalhar e todos foram atirados na cova do tamanduá. 
Assim, todos os escravos foram libertados. O rei, que ficou rei sem quem pudesse dominar, teve que aprender a trabalhar junto com os seus poucos suditos que sobraram.
E a formiga Duana foi coroada rainha de um novo reino, composto por milhares de formiguinhas livres e felizes.
Agora todos travalhavam por amor e cooperação e não por obrigação, como o reino das formigas foi destinado a ser. E o reino foi chamado de formidade, pois era onde as formigas encontraram sua liberdade. 













segunda-feira, 23 de maio de 2016



Laranja azul

Havia um camponês que era apaixonado por uma bela princesa. Mas, depois de muitos anos, decidiu esquecê-la por perceber que se tratava de um amor impossível.
Tentou ocupar-se em seus trabalhos, interessar-se por outras, mas nada parecia funcionar para ele.
Percebeu que seu caso era um tipo de doença e começou a dedicar-se a pesquisá-la.
Fez vários estudos e experiências. E, para sua grande surpresa, acabou criando um remédio que podia curar qualquer doença, menos a sua.
Nesse tempo, o rei foi acometido por uma grave doença. Chamou todos os médicos do reino para curá-lo, mas nenhum deles conseguiu. 
Foi aí que o jovem viu que estava diante de uma oportunidade. E apresentando-se  ao rei disse:

-Tenho oh digníssimo rei, um remédio que pode restaurar-te a saúde.

-Traga-me-pediu o rei. 
-Mas se eu o trouxer, me darás algo em troca? - quis saber o jovem.
-Tens a palavra do rei. -confirmou o moribundo.-Mas e se falhares? 

E o rapaz disse:
-Perdoe-me minha sinceridade, mas vês como está delicada tua situação. Hoje mesmo teu tempo de vida parece querer deixar-te. E talvez eu seja tua salvação.

Então o conselheiro aproximou-se para retirar o rapaz que falava audaciosamente.

Mas o rei fez sinal para que prosseguisse:
-Se eu não obtiver exito nessa missão, não estarás mais aqui para punir-me. Mas como prova de que podes confiar em mim, se eu estiver mentindo, me colocarei perante teus súditos aqui presentes como um traidor do rei e portanto digno de ser desertado como bem manda a lei. 

-Está certo.- Disse o rei às tosses.

E o jovem, curvando -se em reverência retirando seu chapéu, saiu da presença de sua majestade, deixando o palácio.
No dia seguinte  apresentou -se novamente trazendo uma caixa de madeira embrulhada num tecido escarlate.
Dentro da caixa havia uma fruta, semelhante a uma laranja de cor azul. E o rei tomando-a em sua mão trêmula, provou-a. Passados alguns minutos, deu um salto da cama. 

Logo estava totalmente curado.  E abraçando o rapaz, caminhou com ele bradando em alta voz.
-Que alegria, que alegria!  Que dia especial!  Nunca me esquecerei do que me fizestes, meu jovem.

E agora, podes pedir-me o que desejas. 

O camponês então respondeu:
- A única coisa que te peço é a cura que nenhum estudo pode dar:A mão de tua filha.
Naquele mesmo dia, o camponês recebeu a princesa como sua esposa. E seu coração foi curado.