terça-feira, 19 de abril de 2016

Amigas inseparáveis






Amigas inseparáveis

Liane e Jesebel eram quase irmãs, duas amigas inseparáveis.
Liane gostava de um rapaz de nome Jeferson, o nerd da escola. Já Jesebel gostava do irmão dele, Samuca, o mais descolado, paixão que nutria desde a infância. 
No ano de formatura das garotas, quando tinham dezessete anos haveria o grande baile de formatura, tradicionalmente de máscaras. 
Os rapazes da escola deveriam convidar as moças para os acompanharem a festa.
Jesebel, foi convidada por Jeferson, mas não contou para a amiga o nome de quem a chamara.
Jesebel pediu a Liane que a ajudasse a se arrumar no dia do evento. 
Á noite, Jeferson chegou para leva-la ao baile. Ele já estava tocando a campainha quando Jesebel contou a amiga que aquela era uma surpresa que preparara para ela. Pediu que fôsse em seu lugar. 
Liane ficou meio confusa com aquilo, mas seu amor pelo rapaz era tão grande que aceitou. Colocou o vestido de baile que estava com a amiga e rumou com sua paixão platônica ao baile com uma máscara que escondia sua face completamente. 
A festa transcorria como nuvens brancas num dia ensolarado. 
Liane parecia num conto de fadas ainda mais emocionante com as palavras ditas pelo rapaz:
-Jesebel, confesso que só te via como uma amiga. Mas agora percebo que temos muito em comum... nossos pensamentos, seu jeito de dançar, sua voz, suas mãos... tudo em você que eu nunca havia notado me atraem profundamente. Estou apaixonado. Aceita namorar-me? Dito isto, ele tentou tirar sua máscara. 
Mas Liane correu com temor de revelar sua identidade. E ele foi atrás. 
Samuca correu atrás do irmão, o que foi para ele um ótimo pretexto para afastar-se de Lia, uma moça vulgar que tinha sido arranjada para ele por algum amigos. 
Liane entrou em seu carro e os irmãos a seguiram. 
Ao chegar em sua casa, Liane deparou-se com a verdadeira Jesebel que estava esperando-a dentro de seu carro para ouvir sobre a festa. 
Assim que a garota desceu, Jeferson exclamou:
-Espere, aquela não é a Jesebel! Aquela sim-apontando para a verdadeira-Mas quem é ela então? 
E os dois jovens aproximaram-se das moças que, desta vez, a pedido de Jesebel decidiram contar toda a verdade. Depois que contaram tudo, menos sobre a paixão secreta de Jesebel, Jeferson foi quem falou:
-Mas se eu soubesse que você era tão encantadora antes, já teria convidado-a para sair. 
Agora que eu sei quem é. -E ajoelhou-se-Querida Liane, aceita namorar-me? 
-Sim, mil vezes sim-a garota respondeu beijando-lhe afetuosamente. 
E depois de uma duzia e meia de trocas de cúmplices sorrisos, Samuca também apaixonou-se por Jesebel. 
Passados dois longos meses, os dois casais foram entregues ao altar da eternidade. E o dia da formatura sempre será lembrado como o dia em que máscaras caíram e o amor foi descoberto. 

Chocolméia






Chocolméia

Havia uma abelhinha de nome Emily que vivia numa imensa colmeia produtora de Mel. 
Certo dia ela estava passeando pelo campo e parou para observar uma cena: Era de um menino que lambuzava-se comendo uma grande barra de chocolate ao lado de sua mãe. As expressões que ele fazia eram de alguém que estava nitidamente encantado e elevado. 
Aquelas expressões imediatamente atraíram a sua atenção. 
Enquanto a criança deliciava-se, deixou um pedaço do doce cair no chão. E chorou protestando com a mãe:
-Eu quero mais, quero outro... 
A mãe o colocou no colo e disse:
-Eu sei filho, concordo que o chocolate é o melhor doce do mundo. Compro outro para você, tudo bem? 
E a crianca imediatamente parou de chorar assentindo. 
A abelhinha ficou absolutamente intrigada com o que viu e ouviu. Nunca havia ouvido falar que havia algo mais doce e prazeroso que o mel produzido em sua colônia. E quis um bocadinho daquele doce também. Por isso, pousou na substância estranha e marrom e provou-a. 
Imaginou- se fazendo um vôo de 360 graus pelo mundo com aquela sensação. -Fascinante, pensou-De fato, surpreendente. 
E logo teve uma ideia. 
Seguiu mãe e filho até a loja de guloseimas em que foram. 
E la estava a mesma barra de chocolate que vira antes com a criança e que provara. Ela estava ali,  empilhada em meio a outros doces.Examinou a embalagem voando por ela tantas vezes que foi preciso que uma funcionária a expulsasse da loja.
Foi até o endereço da fábrica que registrara mentalmente e aprendeu a receita daquele chocolate. Mas decidiu aprimorá-lo um pouco. Fez a experiência usando seus familiares e amigos e todos aprovaram o doce. 
Assim a abelhinha transformou-se de fabricante de Mel para assídua fabricante de chocolate. 
E seu produto tornou-se tão popular que até criou uma fábrica, a incrível Chocolméia. 
Muitas crianças saíam de vários lugares do mundo para visitá-la e experimentar o famoso chocolate da abelha.
O mais interessante nessa história é que a abelhinha jamais abandonou sua colmeia, pois o mel era a base de sua receita. Só que esse era seu segredinho particular para o que veio a,se tornar o melhor chocolate do mundo. 

O coachar do amor




O coachar do amor

Numa lagoa vivia um jovem sapo de nome Girinildo.Ele era muito talentoso na arte do coachar.  Suas cordas vocais  ressoavam tão melodicamente que quando ele as vibrava, muitos sapos paravam para escutá-lo admirados. Porém, havia nele uma limitação genética:suas cordas vocais não suportavam a presença da luz. Quando amanhecia, as luzes do dia engolfavam-lhe a voz e ele não conseguia mais cantar até o sol se pôr.
 Certo dia houve um baile no Salão Brejeiro onde muitos sapos foram dançar e se divertir. Ele foi chamado para fazer a música ao vivo. Todos ficaram encantados com a linda voz de Girinildo, principalmente uma bela sapinha de nome Sapiane que apaixonou-se por ele nas primeiras notas de sua garganta. 
E o sapo cantor para alegria de sua admiradora retribuiu seus olhares.  A noite estava iluminada, mas muito mais dentro desses jovens sapos, iniciantes na arte do amor. 
De repente fogos de artifício rabiscaram o céu. Mesmo a momentânea claridão foi suficiente para fazer Girinildo perder a voz e o rumo de seu show. 
Impensadamente, correu até o toalete e deixou a  água da fonte lacustre molhar seu rosto para que pudesse pensar. Ao voltar, esfregando a garganta, tentou elaborar algo pra dizer aos convidados, mas topou com Sapiane e suas ideias perderam-se. Num divisor de segundos apenas se olharam. Reunindo a coragem dos românticos, o sapo foi o primeiro a falar:
-Eu, eu não posso mais cantar ate daqui a algumas horas. E contou a sapinha sobre a fragilidade que ele sempre escondia. 
-Deixe-me ajudá-lo então.Eu sei o que fazer. Espere aqui. 
Em segundos a sapinha foi ao palco, pegou o microfone e retomou o show anunciando que fora substituir o cantor da noite.
Logo, todos estavam se divertindo novamente até o fim do baile com a cantora sapinha que se tornara uma sensação com sua linda voz e carisma.
Passaram-se meses e toda a comunidade brejeira estava sendo convidada para o evento do ano:o dia em que os sapos cantores se uniriam em um enlace. 
Em seu casamento Girinildo pronunciou um discurso com as palavras que ficaram marcadas:
Luzes tiraram minha voz, mas esta luz- e apontou para a sapa-devoveu- a para sempre. 
Foi aí que a música mais perfeita foi ouvida, mas somente pelo casal de sapinhos que se casava, pois naquela noite ela parecia ter sido feita pra eles, O coachar do amor.

Karen Hutber



A bailarina que amou






A bailarina que amou



Mariane e Vanessa eram irmãs gêmeas que se amavam profundamente.
Faziam todas as coisas juntas, desde as refeições, aos estudos e a maior paixão de ambas, o ballet. 
Apesar de suas semelhanças, Mariane sempre foi a mais frágil e sensível. 
Quando as meninas tinham dezesseis anos, seus pais morreram num acidente de carro. 
Mariane mergulhou em profunda depressão. Ficava apenas deitada em sua cama. Era um sofrimento fazê-la comer o equivalente ao que se dava aos passarinhos. Por isso começou a definhar. 
Vanessa, muito preocupada com a situação da irmã, viajou para procurar um sábio ancião bem conhecido. 
Ao apresentar-se perguntou-lhe:
-Como posso ajudar minha irmã que está morrendo de depressão? 
-O que ela mais gostava antes de ficar doente? -Perguntou o velho.
-De ballet- Respondeu a moça com segurança.
-Está disposta a sacrificar-se por sua irmã para salvá-la? 
-Sim, qualquer coisa justa. Por favor. 
-Está certo. Tome. -E deu-a um pequeno galho-Esfregue isto e faça seu pedido. Se ele revelar um verdadeiro espírito de sacrifício e amor, sua irmã será salva. 
E Vanessa, esfregando o galho transformou-se numa bailarina de caixinha de música. 
No dia seguinte uma encomenda foi entregue a Mariane. 
-Oh, que lindo! 
Assim ela foi curada pelo poder do amor contido no presente. 
E essa é a história da bailarina da caixinha de música. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A floresta de Tulio

A maior riqueza










A maior riqueza

Havia um sabio rico que era conhecido como Kelvin. Ele prometeu dar uma grande fortuna a quem conseguisse desvendar um enigma que era este: "Qual é o maior enigma do mundo?"
Muitas respostas foram dadas, mas a correta continuava sendo um mistério. 
Até que um dia, uma menina que vivia num orfanato, muito esperta, perguntou-lhe ao ser também interrogada por ele. 
-Qual é o seu nome verdadeiro? 
-ken-respondeu-lhe
-Entao é você. 
-Sim, você acertou. Minha grande fortuna sera tua. Mas como sabia? 
-Ninguém anda por aí por tantos kilômetros a menos que queira saber mais sobre si mesmo.
E a sábia menina rica começou daí em diante a andar de casa em casa para contar a cada um sobre o propósito da vida que já conhecia e sabia que era a maior riqueza desejada. 

Uma Tartaruga no ninho





Uma Tartaruga no ninho

Era uma vez uma tartaruga, aquela da classe dos répteis e uma das figuras mais lentas entre os animais.
Ela não era em nada diferente de outros seus iguais em peso, altura e proporções.
Uma introdução coerente é necessária para contar que foi vista por outra sua igual em uma zona atípica. 
Se fosse encontrada cirandando um lago seria considerado bem normal, mas a tal tartaruga estava nada menos que num ninho de cascavéis. Isso mesmo, num ninho das criaturas mais peçonhentas do mundo. E sabem do mais intrigante? É que esses répteis não a faziam mal, ao contrário pareciam ser seus amigos. 
A notícia se espalhou com rapidez e a tartaruga tornou-se famosa em toda a cidade pelo medo que provocava. 
Decidiu aproveitar sua popularidade para candidatar-se a prefeita, acreditando que venceria, pois ninguém ousaria contraria-la, com medo de ser atirado as cobras. 
Então o dia da votação para a prefeitura chegou. A apuração dos resultados foi apenas para cumprir o protocolo, pois , alcançando um marco inédito em toda a história das tartarugas, venceu tranquilamente com cem por cento dos votos.
E no momento em que assumia o cargo, participava de uma comitiva em que teria que responder a algumas questoes.
Um dos entrevistadores perguntou-lhe o que todos queriam saber e ninguém tinha coragem. 
-.... Senhora prefeita.... vossa excelência quer nos dizer como consegue ser amiga das cobras? 
Por alguns minutos ela guardou silêncio. Não queria que todos soubessem seu segredo. Mas disse consigo:" Se eu continuar no cargo vai ser de maneira honesta e pelo que sou de verdade"
-É simples-ela disse-
Como diz o velho ditado''A propaganda é a alma do negócio. Sabem-e olhou para fora da janela, pensativa. 
-Prossiga, por favor,incentivou o repórter enquanto a interrogada tomava um gole de água. 
E ela continuou:
Um dia, enquanto passava na floresta, avistei uma cascavel. Tentei fugir, mas era rápida demais para mim, que me pegou e me levou para seu ninho. Não queria acabar minha vida assim. Seria tão triste e doloroso.. Lutar, gritar ou correr seria inútil e gozado. Mas tinha algo que sabia que eles não tinham, eu era tartaruga e eles não me conheciam como eu mesma. Tive então uma ideia então.  Vendi meu peixe, ou melhor, meus ovos de tartaruga em troca de minha liberdade.
Olhos arregalados continuaram sobre ela, quando a entrevista prosseguiu:
- Como assim, Senhora prefeita? Perguntou seu interlocutor agora intrigado 
-Eu só contei a elas que também sou um réptil, portanto, um tipo de cobra , mas um casco ficou preso em mim.
Risos em todo o auditório foram ouvidos. 
Na verdade todos sabiam que seu argumento fazia sentido. Não era mentira. Ela era de fato um réptil e parecia mesmo uma cobra com um casco grudado nela assim como todos de sua espécie. 
Agora ninguém mais a temia. Todos agora a respeitavam e passaram a vê-la como a maior articuladora que já existiu entre sua espécie. 
Foi assim que, de prefeita virou ministra de relações públicas de todo o território tartaruguense. 
E as cobras receberam cem mil amigas tartarugas a mais e cem mil comidas a menos.