terça-feira, 19 de abril de 2016

O anão e o gigante





O anão e o gigante

O anão franziu a testa diante da declaração. 
-Mas não pode ser! 
-Mas é .-Disse o gigante. 
E a conversa se estendeu naquela noite onde as estrelas testemunharam. 
-Mas ninguém reparou... -insistiu o anão.
-Como não? 
- Eu podia afirmar dentro da água que isso nunca aconteceu. 
-Ha, mas até mesmo os peixes poderiam confirmar. 
-Calúnia da ociosidade, só pode ser. 
-Se é como preferes julgar... 
-Não tenho provas que de fato é verossímil essa afirmação, senão... 
-Senão minha palavra. 
-Sim
-E quem sempre pôde confiar nela? 
-A Terra nunca foi quadrada, mesmo quando pensavam que era. 
-Sim, entendo o que pretendes, confundir-me. 
-Mas as provas que refutas são contundentes, se concordas. 
-Sim, as coincidências também o são. 
-AGORA BASTA, SENAO ACREDITA, FIQUE COM TUA DUVIDA. 
E o gigante pisou firme enquanto sacudia as vestes. 
-Se te acalmares podes talvez convencer-me. Disse o anão, amolecendo o coração do gigante. 
-Tudo bem. Te mostrarei então.
E o pequeno homem levantou-se, baixando os talheres. Ele estivera conversando consigo mesmo no restaurante, enquanto seus olhos penetraram na sorridente mulher da mesa ao lado. 
O improvável acontecera. Ele era o homem mais tímido que já se teve notícia e, mesmo com seus trinta e cinco anos, nunca havia namorado. 
Havia uma faísca na maneira que ela sorria. Ele bem podia sentir.
Se não havia fogo, que perigo haveria de queimar-se?
E foi até a mulher pedir seu telefone. 
Mesmo gaguejante, qualquer um poderia elogia-lo pelo progresso. 
Mas foi o gigante interior que deu-lhe esperança. Aquela força viva e poderosa, capaz de derrubar a fortaleza do medo. 
E a mulher, como se o atirasse do quarto andar, recusou educadamente, finalizando com uma declaração. 
-Sou casada. Te olhei porque achei que fosse meu marido. Sou míope e se parece muito com ele. Mas, olha ele ali. 
E um outro homem aproximou-se da mulher, beijando-a. 
Mas o anão protagonista aumentou de tamanho  porque venceu um desafio. 
Uma semana depois... 
No mesmo restaurante haviam dois gigantes:Ele e ele mesmo. 
O mais velho iniciou o diálogo:
-A beleza que está no teu olhar é o reflexo... 
-Do que penso de mim mesmo? 
--Sim, agora sabes o que fazer. O diálogo curto é suficiente para o homem sábio. 
-Sim... 
E o gigante mais jovem dirigiu-se a uma bela moça. 
-Oi! Sei que eu pareço pequeno, mas sou um gigante de outra Terra em que nasci. Quer me dar seu telefone? 
Contabilizando risos e sorrisos, foi uma noite muito agradável. 
Meses depois... 
Um anão e uma moça de porte mediano se casaram. Contabilizando suas alturas somavam perfeitas juntas.
Quando perguntaram o que a moça tinha visto no anão, ela respondeu:
-Anao? Quem? Eu me casei com um gigante. 

Xx


Karen Hutber


Quem comeu o bolo?






Quem comeu o bolo?

Quem comeu o bolo que deixei na geladeira? 
Quis saber Marry dirigindo-se aos seis filhos. 
Mas nenhum culpado apresentou-se e sequer houve uma testemunha.
Logo ela estava projetando um olhar general em cima de cada crianca enquanto o silêncio reinava.
E o mais velho tentou advogar. 
-Mae, não foi ninguém. Se fosse um de nós já teria contado. 
Mas a mãe insistiu desconfiada:
-Ah, mas não sei o que estão aprendendo lá fora. Não é pelo bolo, mas pela honestidade. Vocês sabem o que eu e seu pai ensinamos sobre isso. 
-Mamãe-ponderou a menina mais nova-pode ter sido o papai. 
Mas a mãe recusou o álibe. 
-Não foi ele. Vocês sabem que ele tem diabetes e não come doces. 
-Ah mas quem sabe ele nao quis levar para a vovó na viagem. -refletiu a menina do meio. 
-O pai de vocês vai ficar uma semana fora a trabalho e só na volta vai passar na casa da vovó. O bolo não resistiria tanto tempo. E se tivesse pegado o bolo para alguém, ele me falaria antes. Vocês conhecem o pai de vocês. - Refutou a mãe.
Aquele estava sendo um desafio sem precedentes para a matriarca. Ela havia ensinado os filhos a serem sempre honestos, mesmo que isso significasse perder algo. Ela dizia que a recompensa nos céus valia a renúncia de qualquer coisa. Eles eram bons filhos e isso nunca tinha acontecido antes. 
Mas agora-pensou ela- alguém está mentindo e preciso descobrir quem é. 
A essa altura ela já estava irritada, por isso falou energicamente:
-Darei mais uma chance a vocês. Terão uma hora para ponderarem e o culpado revelar-se. Se ninguém confessar, todos receberão um castigo. Estou começando a contar agora. 
TIC TAC TIC TAC... 
E as crianças se reuniram num conselho para encontrarem o responsável, mas foi em vão. 
Uma hora passou-se como alguns poucos minutos. 
E como o criminoso não se entregou, a mãe aplicou um castigo a todas as crianças. 
-Vocês ficarão sem sair para brincar até saber quem está mentindo. 
As feições dela agora tomavam um aspecto de satisfação estranha.
Muitos protestos entrechocaram-se:
"Mas mãe não foi nenhum de nós. "Essa é nossa última semana de férias." "O que faremos então? " Eu quero sair para brincar. "Mãe, por favor"
Mas a mãe encerrou o assunto. 
-Está decidido. Nem vou contar isso para o pai de vocês agora para não preocupá-lo. E retirou-se para o seu quarto. 
Aquela semana de detenção foi muito desafiadora para os pequenos.
Por isso, a mãe pensou em relaxar o castigo por várias vezes, mas não podia ceder as chantagens dos filhos. Eles precisavam aprender uma lição que jamais esqueceriam. "É para o bem deles"-confortava-se. 
E essa semana perdeu-se no mar dos dias agitados. 
Quando o pai voltou para casa e ela contou o que havia acontecido, ele disse:
- Eu sei quem comeu o bolo querida. 
-Sabe... Sério? Então quem foi? Quis saber a mulher curiosa, enquanto os filhos ouviam ansiosos. 
-Sim, foi você, meu bem. Não se lembra? 
-Não, respondeu envergonhada 
E a mãe pediu perdão aos filhos chorando. Não sabia como resolver a situação. 
Mas o marido, depois de afastar-se por alguns minutos, falou:
-Querida, não se preocupe. Podemos fazer uma viagem juntos. Já liguei para a escola das crianças e eles concordaram em prolongarem suas férias por mais uma semana. 
O pai dirigindo-se as crianças revelou a surpresa. 
-Iremos para a Disney. 
Então as crianças ficaram tão felizes que até esqueceram a frustração vivida. 
E aquela semana foi a mais divertida que já tiveram, de fato, memorável. 
Por outro lado, a mãe em breve se esqueceria também desses dias, pois fora acometida com o mal do esquecimento.


Amigas inseparáveis






Amigas inseparáveis

Liane e Jesebel eram quase irmãs, duas amigas inseparáveis.
Liane gostava de um rapaz de nome Jeferson, o nerd da escola. Já Jesebel gostava do irmão dele, Samuca, o mais descolado, paixão que nutria desde a infância. 
No ano de formatura das garotas, quando tinham dezessete anos haveria o grande baile de formatura, tradicionalmente de máscaras. 
Os rapazes da escola deveriam convidar as moças para os acompanharem a festa.
Jesebel, foi convidada por Jeferson, mas não contou para a amiga o nome de quem a chamara.
Jesebel pediu a Liane que a ajudasse a se arrumar no dia do evento. 
Á noite, Jeferson chegou para leva-la ao baile. Ele já estava tocando a campainha quando Jesebel contou a amiga que aquela era uma surpresa que preparara para ela. Pediu que fôsse em seu lugar. 
Liane ficou meio confusa com aquilo, mas seu amor pelo rapaz era tão grande que aceitou. Colocou o vestido de baile que estava com a amiga e rumou com sua paixão platônica ao baile com uma máscara que escondia sua face completamente. 
A festa transcorria como nuvens brancas num dia ensolarado. 
Liane parecia num conto de fadas ainda mais emocionante com as palavras ditas pelo rapaz:
-Jesebel, confesso que só te via como uma amiga. Mas agora percebo que temos muito em comum... nossos pensamentos, seu jeito de dançar, sua voz, suas mãos... tudo em você que eu nunca havia notado me atraem profundamente. Estou apaixonado. Aceita namorar-me? Dito isto, ele tentou tirar sua máscara. 
Mas Liane correu com temor de revelar sua identidade. E ele foi atrás. 
Samuca correu atrás do irmão, o que foi para ele um ótimo pretexto para afastar-se de Lia, uma moça vulgar que tinha sido arranjada para ele por algum amigos. 
Liane entrou em seu carro e os irmãos a seguiram. 
Ao chegar em sua casa, Liane deparou-se com a verdadeira Jesebel que estava esperando-a dentro de seu carro para ouvir sobre a festa. 
Assim que a garota desceu, Jeferson exclamou:
-Espere, aquela não é a Jesebel! Aquela sim-apontando para a verdadeira-Mas quem é ela então? 
E os dois jovens aproximaram-se das moças que, desta vez, a pedido de Jesebel decidiram contar toda a verdade. Depois que contaram tudo, menos sobre a paixão secreta de Jesebel, Jeferson foi quem falou:
-Mas se eu soubesse que você era tão encantadora antes, já teria convidado-a para sair. 
Agora que eu sei quem é. -E ajoelhou-se-Querida Liane, aceita namorar-me? 
-Sim, mil vezes sim-a garota respondeu beijando-lhe afetuosamente. 
E depois de uma duzia e meia de trocas de cúmplices sorrisos, Samuca também apaixonou-se por Jesebel. 
Passados dois longos meses, os dois casais foram entregues ao altar da eternidade. E o dia da formatura sempre será lembrado como o dia em que máscaras caíram e o amor foi descoberto. 

Chocolméia






Chocolméia

Havia uma abelhinha de nome Emily que vivia numa imensa colmeia produtora de Mel. 
Certo dia ela estava passeando pelo campo e parou para observar uma cena: Era de um menino que lambuzava-se comendo uma grande barra de chocolate ao lado de sua mãe. As expressões que ele fazia eram de alguém que estava nitidamente encantado e elevado. 
Aquelas expressões imediatamente atraíram a sua atenção. 
Enquanto a criança deliciava-se, deixou um pedaço do doce cair no chão. E chorou protestando com a mãe:
-Eu quero mais, quero outro... 
A mãe o colocou no colo e disse:
-Eu sei filho, concordo que o chocolate é o melhor doce do mundo. Compro outro para você, tudo bem? 
E a crianca imediatamente parou de chorar assentindo. 
A abelhinha ficou absolutamente intrigada com o que viu e ouviu. Nunca havia ouvido falar que havia algo mais doce e prazeroso que o mel produzido em sua colônia. E quis um bocadinho daquele doce também. Por isso, pousou na substância estranha e marrom e provou-a. 
Imaginou- se fazendo um vôo de 360 graus pelo mundo com aquela sensação. -Fascinante, pensou-De fato, surpreendente. 
E logo teve uma ideia. 
Seguiu mãe e filho até a loja de guloseimas em que foram. 
E la estava a mesma barra de chocolate que vira antes com a criança e que provara. Ela estava ali,  empilhada em meio a outros doces.Examinou a embalagem voando por ela tantas vezes que foi preciso que uma funcionária a expulsasse da loja.
Foi até o endereço da fábrica que registrara mentalmente e aprendeu a receita daquele chocolate. Mas decidiu aprimorá-lo um pouco. Fez a experiência usando seus familiares e amigos e todos aprovaram o doce. 
Assim a abelhinha transformou-se de fabricante de Mel para assídua fabricante de chocolate. 
E seu produto tornou-se tão popular que até criou uma fábrica, a incrível Chocolméia. 
Muitas crianças saíam de vários lugares do mundo para visitá-la e experimentar o famoso chocolate da abelha.
O mais interessante nessa história é que a abelhinha jamais abandonou sua colmeia, pois o mel era a base de sua receita. Só que esse era seu segredinho particular para o que veio a,se tornar o melhor chocolate do mundo. 

O coachar do amor




O coachar do amor

Numa lagoa vivia um jovem sapo de nome Girinildo.Ele era muito talentoso na arte do coachar.  Suas cordas vocais  ressoavam tão melodicamente que quando ele as vibrava, muitos sapos paravam para escutá-lo admirados. Porém, havia nele uma limitação genética:suas cordas vocais não suportavam a presença da luz. Quando amanhecia, as luzes do dia engolfavam-lhe a voz e ele não conseguia mais cantar até o sol se pôr.
 Certo dia houve um baile no Salão Brejeiro onde muitos sapos foram dançar e se divertir. Ele foi chamado para fazer a música ao vivo. Todos ficaram encantados com a linda voz de Girinildo, principalmente uma bela sapinha de nome Sapiane que apaixonou-se por ele nas primeiras notas de sua garganta. 
E o sapo cantor para alegria de sua admiradora retribuiu seus olhares.  A noite estava iluminada, mas muito mais dentro desses jovens sapos, iniciantes na arte do amor. 
De repente fogos de artifício rabiscaram o céu. Mesmo a momentânea claridão foi suficiente para fazer Girinildo perder a voz e o rumo de seu show. 
Impensadamente, correu até o toalete e deixou a  água da fonte lacustre molhar seu rosto para que pudesse pensar. Ao voltar, esfregando a garganta, tentou elaborar algo pra dizer aos convidados, mas topou com Sapiane e suas ideias perderam-se. Num divisor de segundos apenas se olharam. Reunindo a coragem dos românticos, o sapo foi o primeiro a falar:
-Eu, eu não posso mais cantar ate daqui a algumas horas. E contou a sapinha sobre a fragilidade que ele sempre escondia. 
-Deixe-me ajudá-lo então.Eu sei o que fazer. Espere aqui. 
Em segundos a sapinha foi ao palco, pegou o microfone e retomou o show anunciando que fora substituir o cantor da noite.
Logo, todos estavam se divertindo novamente até o fim do baile com a cantora sapinha que se tornara uma sensação com sua linda voz e carisma.
Passaram-se meses e toda a comunidade brejeira estava sendo convidada para o evento do ano:o dia em que os sapos cantores se uniriam em um enlace. 
Em seu casamento Girinildo pronunciou um discurso com as palavras que ficaram marcadas:
Luzes tiraram minha voz, mas esta luz- e apontou para a sapa-devoveu- a para sempre. 
Foi aí que a música mais perfeita foi ouvida, mas somente pelo casal de sapinhos que se casava, pois naquela noite ela parecia ter sido feita pra eles, O coachar do amor.

Karen Hutber



A bailarina que amou






A bailarina que amou



Mariane e Vanessa eram irmãs gêmeas que se amavam profundamente.
Faziam todas as coisas juntas, desde as refeições, aos estudos e a maior paixão de ambas, o ballet. 
Apesar de suas semelhanças, Mariane sempre foi a mais frágil e sensível. 
Quando as meninas tinham dezesseis anos, seus pais morreram num acidente de carro. 
Mariane mergulhou em profunda depressão. Ficava apenas deitada em sua cama. Era um sofrimento fazê-la comer o equivalente ao que se dava aos passarinhos. Por isso começou a definhar. 
Vanessa, muito preocupada com a situação da irmã, viajou para procurar um sábio ancião bem conhecido. 
Ao apresentar-se perguntou-lhe:
-Como posso ajudar minha irmã que está morrendo de depressão? 
-O que ela mais gostava antes de ficar doente? -Perguntou o velho.
-De ballet- Respondeu a moça com segurança.
-Está disposta a sacrificar-se por sua irmã para salvá-la? 
-Sim, qualquer coisa justa. Por favor. 
-Está certo. Tome. -E deu-a um pequeno galho-Esfregue isto e faça seu pedido. Se ele revelar um verdadeiro espírito de sacrifício e amor, sua irmã será salva. 
E Vanessa, esfregando o galho transformou-se numa bailarina de caixinha de música. 
No dia seguinte uma encomenda foi entregue a Mariane. 
-Oh, que lindo! 
Assim ela foi curada pelo poder do amor contido no presente. 
E essa é a história da bailarina da caixinha de música. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A floresta de Tulio