quinta-feira, 21 de abril de 2016

A garota preguiça



A garota preguiça


A ociosidade era o grande defeito de Valda. 
Ela era tão preguiçosa, mas tão preguiçosa que só tomava sopa no canudinho para não precisar mastigar. 
Ah, acreditam que ela chegava ao cúmulo de dormir de roupa de sair para não ter de se arrumar no dia seguinte? E o banho? essa palavra causava-lhe calafrios, pois seja no frio ou no calor sempre se dizia "educadamente" indisposta. 
Também para falar estava cansada, o que levava a interpretação por muitos de que era muda. 
Por isso, quando perguntavam seu nome ela só respondia Val. Até sua assinatura tinha seu nome abreviado. 
Mas ai é que residia o desafio:adivinhar o nome real da garota. Como recusava-se a falar, os palpites eram diversos:Valdirene, Valesca, Valquíria, Valéria, mas a verdade é que ninguém acertava seu nome de registro, tirando claro, a família. 
Bom, mas entre nós um aparte,seu caso era digno de compaixão e estava cada vez mais grave. 
Percebendo a situação, a mãe levou-a ao médico e na consulta explicou-lhe a situação:
-Minha filha não quer fazer nada...
O médico examinou-a, suspirou e foi procurar algo na gaveta. 
-Hum, deixa eu ver. Está aqui. Vejamos-E abriu uma pasta de onde tirou uma folha toda rasurada, seus olhos percorrendo-a freneticamente.
-O que ela tem doutor? Perguntou a mãe impaciente.
- Não pode ser-Disse dessa vez mais para si. 
-O que foi doutor? Continuou a mãe.
- Ela tem uma doença muito grave. Desculpe filha-Falou dirigindo-se a menina-mas você tem apenas um mês de vida. 
-O que? Falou Valda pela primeira vez desde que entrou no consultório.
-Sim, você tem uma doença rara semelhante a um câncer. Ainda está em estudos, mas os cientistas a chamam de :Ociacitus mortalis. Tome esses comprimidos. Uma vez ao dia. Não prolongará seus dias, mas a ajudará a viver melhor. 
-Como assim? Minha filha não pode morrer. Reagiu a mãe.
- Sinto muito. Sugiro que ela aproveite bem o tempo que ainda lhe resta. E sublinhou seu conselho com um olhar profundo que dirigiu a menina:  - Realize suas atividades com a melhor versão de você porque no final de sua vida não haverá mais tempo para realiza- las.
Como um ato sem esforço, lágrimas desceram do rosto da garota enquanto mãe e filha saíram do hospital tentando digerir a informação. 
Depois da revelação Valda decidiu seguir o Conselho do médico e foi aos poucos mudando. 
Não tomava mais sopa, mas todo o tipo de comida mastigável que a mãe fazia. Agora dormia de pijamas e os banhos passaram a ser diários. 
Ela também tornou-se muito comunicativa, revelando inclusive seu nome inteiro antes que a perguntassem.
Todos notaram que ela estava diferente e, apesar da sua expectativa de vida, estavam positivamente admirados com a mudança. 
Um mês se passou e Valda continuava vivendo seu novo normal. 
Mas ela nunca se sentiu tão bem, como se a morte estivesse compensando-a porque em breve a levaria. 
E como seu remédio havia acabado, ela foi com a mãe procurar o médico para que ele a desse uma nova cartela. 
- Não tenho mais remédio. Disse o doutor.
-Mas onde posso conseguir então? Quis saber a mãe.
- Você não vai precisar mais dele. 
-Mas como não? - Interveio a menina-Escute doutor. Esse remédio me mudou completamente. Nunca me senti tão feliz quanto agora, mesmo sabendo que em breve vou partir. Ele está me ajudando a ter os melhores dias da minha vida. 
- Você não tomou nada. 
- Não, doutor.-Agora foi a mãe que disse-Eu estava lá. Eu mesma ministrei o remédio a minha filha. Ela tomou tudo. 
-Vocês não estão entendendo. O que eu a dei foi apenas pastilhas açucaradas para crianças. Não causou nenhum efeito. 
- Você o que? Perguntou a mãe confusa. 
Então Valda repousando sua mão sobre a mão da mãe para acalmá-la tentou ela mesma entender e disse:
-Mas eu vou morrer e... 
- Você não vai morrer. -Tranquilizou-a o médico.
Então as duas indagaram quase simultaneamente:
-"O senhor mentiu? "
- Não, eu falei a verdade. Eu disse que a Valda morreria em um mês e hoje estou presenciando aqui em minha frente uma outra Valda. 
Três sorrisos se cruzaram seguidos de boas risadas, como se uma bela piada tivesse sido contada. 

Xadrezando




Xadrezando


Sabrina acordou às cinco e meia com um forte estrondo.Estendeu os bracos para silenciar o seu velho despertador e foi só então que lembrou-se que era sábado e não precisava ir à escola. Voltou a dormir, mas por pouco tempo. Dentro de dez minutos seu quarto ja recebia visitas. 
-Feliz aniversário dorminhoca! Disse a mãe abrindo as cortinas. 
Sabrina, que estava fazendo dezesseis anos empertigou-se na cama com um meio sorriso.
-Trouxemos um presente que achamos que irá gostar. Parabéns filha! Completou o pai entregando-a um pequeno envelope alaranjado. 
-Obrigada. O que é? 
-Abra. Incentivou a mãe. 
E rasgando o envelope ansiosa a garota teve uma notável surpresa:um ingresso que dava direito a participacão no maior campeonato mundial de xadrez, seu jogo favorito. Seus olhos arregalados demonstraram a surpresa. 
-Xadrezando? Uau! Obrigada! Adorei! Disse a moça abraçando os pais.
- Que bom que gostou, querida. Adiantou-se a mãe. 
-Mas como conseguiram? Quis saber a garota. 
-Não foi nada-Respondeu o pai-Nós a inscrevemos no campeonato e ontem recebemos a carta-resposta dizendo que foi aceita. 
Para participar no Xadrezando o candidato precisava enviar um vídeo provando que estava apto a concorrer com os melhores. Os pais de Sabrina haviam feito um vídeo surpresa dela que deve ter ficado muito bom. 
-Sério? Vocês me inscreveram? Awn... E Sabrina deu um abraço neles, tão largo quanto seu sorriso.
Agora ela participaria do Xadrezando e conheceria seu tão admirado jogador número um do mundo, James Hugh. Parecia um sonho e mais do que nunca ela não queria acordar. 
No dia do campeonato foi incrível! A garota deu tantos checks Mats que só com a metade já poderia ter recebido o prêmio master. Sua vitória quebrou todos os records. O tempo para que seu rei chegasse a última casa teve a média de cinco minutos na soma de cada competição. 
Logo, a moça já estava no pódio. No momento em que seu nome foi chamado viu alguém se aproximando.  
- James Hugh? - Ouviu sua própria voz agora desejando que ninguém tivesse ouvido- a tremer, algo que ela sabia que acontecia sempre que falava o nome de sua paixão secreta.
- Sim, mas esse é para você- Disse James entregando- a um troféu. Vc merece.
- Obrigada.  Espero que sim. Apertou gentilmente a mão de James com um sorriso enquanto pegava seu troféu. 
Enquanto seu ídolo se afastava um outro rapaz se aproximava. Era Maurício, seu melhor amigo. 
- Trouxe isso para você, se referindo a uma caixa de chocolates que era a sua favorita. - Sabia que iria ganhar e que depois precisaria de energia para se recuperar do gasto de adrenalina.
Disse o amigo gentilmente. 
- Você é demais, Mau. Agradeceu a moça.
Os dias se passaram . Sabrina continuou treinando por horas em seu quarto, as vezes sozinha, as vezes com sua melhor amiga Jenna e por outras com Maurício. 
Muitos campeonatos se seguiram. Em alguns ela vencia, outros perdia.  Mas em todos eles seu amigo Maurício estava lá com sua família. 
Por outro lado James , embora tenha sido visto em outros campeonatos pela menina,  em nenhum deles ele a tratou como além de uma companheira de xadrez.
- Sem amizade , sem nenhum pedido de telefone, sem nada. 
Reclamou uma vez Sabrina com a amiga Jenna.
- Talvez seja tempo de você dar uma chance a alguém mais.
Sugeriu a amiga tentando ajudar.
- E quem seria o doido? Perguntou Maurício que a acabara de chegar e ouvira o final da conversa. 
Jenna aproveitou a deixa de Maurício e achou que era tempo de retirar- se.
- Acho que vou comprar uma pipoca para todos nós e já volto.
Disse.
Embora Sabrina conhecesse Maurício desde os 5 anos, sentiu- se de repente tímida e não soube o que dizer. Sentiu que algum clima estava no ar.
- Trouxe um suco pra vc.- Disse o amigo enquanto entregava- lhe uma latinha verde.
Então os dois conversaram e riram juntos.
Parecia que a amiga deles demorava mais para chegar do que estavam pensando. 
Assim, Maurício aproveitou para se declarar a amiga.
Depois de muito clima e mãos dadas,  a moça acabou cedendo e começaram ali um namoro.
Meses se  passaram e agora James não passa de um jogador muito bom de xadrez para Sabrina.
Agora ela ama seu nelhor amigo que em breve se tornará se esposo, pois acabará de pedi- lá em casamento. E ela ouviu sua voz tremer dizendo : Mauu,  Sim, eu aceito.

Karen Hutber






O pais dos brejeiros











O País dos brejeiros

 No país dos brejeiros as  pessoas eram pobres, mas não daquela penúria que corrompe o estômago e sim a alma. 
Havia uma completa falta de percepção que encrustava os seres na classe dos sem classes. 
Não fosse a anedota que acabo de expor, não saberia como exprimir-me. A verdade e que a complexidade da vida e sua felicidade eram vistas com olhos por demais simplórios. 
Imagine como era lá. Para alistar-se como um brejeiro precisava ser fútil. Até suas tradições eram assim. 
Todas as mulheres só usavam cor de Rosa e os homens precisavam ser ricos. Os que ponderavam sobre o propósito da vida eram descartados como esgoto nas águas marítimas. 
Um dia um homem de nome Tito chegou ao país. Suas ambições iam de escalar o Everest a descer de rapel mundo afora e edificar os humanos. Ultimamente ainda quis descer de paraquedas por uma terra distante e foi assim que chegou ao lugar. 
Ele era um ambicioso e pensador. Logo sua fama espalhou-se pelo lugar. 
-Temos um ser pensante entre nós. Vamos, façamos o nosso trabalho de limpeza! Gritaram as vozes dos seres impensantes. 
E o homem foi atirado ao mar, ecoando um grito:
-Prefiro que os tubarões comam minha cabeça que ela nunca seja usada. 
No dia seguinte, uma criatura foi vista nas águas do mar brejeiro, metade homem e metade tubarão. 
E o Homem-tubarão começou a ensinar sobre a sabedoria da vida às escondidas para os que quisessem ouvir. 
Aqueles dissidentes que o ouviram fugiram para outra margem do litoral, onde fundaram o país dos mares azuis.


O droper






O Droper

Um Droper era alguém que nascia numa noite de eclipse e olhava para a lua ao nascer. Assim, recebia o poder da lua rubra. 
Hélio era um Droper . De suas mãos emergia sangue vermelho. Com esse poder congelava e prendia os inimigos da paz. Assim ajudava a combater o crime na cidade desde os quinze anos. 
Entretanto, tinha uma limitação:se entrasse em contato com sangue humano, perderia seu poder e ficaria congelado até o próximo eclipse. 
Aos vinte e seis anos conheceu Célia, uma moça que defendeu de um assalto. Logo, apaixonaram-se e iniciaram um lindo romance.
Certo dia, um grupo de bandidos armados interceptaram sua amada. Vendo de longe o namorado correu até eles como um raio congelante. Com medo, os bandidos fugiram num carro. Mesmo podendo impedi-los, ele conteve-se. Sua atenção estava toda voltada para Célia que, ao aproximar-se viu que a moça jazia em sangue. Então, mais que depressa, sem pensar nas consequências, estancou o sangue da amada com um simples toque, salvando sua vida.
Imediatamente ele congelou-se. 

Dez anos depois...

Noite de eclipse. As estrelas que faltavam no Céu, sobejavam em seu coração, como no dia em que descobriu seu amor por Hélio. 
Celia estava com trinta e seis anos. O tempo para ela havia passado, exceto que conservava a personalidade jovial de antes, a mesma que despediu-se do mutante que nunca esqueceu. 
Por todos esses anos ela esperava o eclipse pulsante em sua memória. 
E foi naquela penumbra à meia noite que aconteceu:O seu querido Droper fundiu o gelo que o prendia a quase morte retomando o fôlego da vida. 
Porém, havia algo que não era esperado. O gelo manteve-se na parte sólida de suas lembranças. Olhou para Célia e não a reconheceu. 
- Oi! cumprimentou a moça. 
Mas o rapaz estava nitidamente confuso. Estreitando seus olhos cumprimentou de volta. 
- Voce está fraco. Trouxe algo para comer. Continuou a mulher fingindo não perceber o estranhamento. 
O rapaz agradecido comeu a refeição com a maior voracidade que pôde reunir. Seu estômago agora era um buraco negro centrifugando tudo o que se pudesse mastigar. 
Depois de saciar-se com uma panela de ensopado de carne e legumes suficiente para alimentar um exército, ele ameaçou levantar-se. 
-Você não se lembra, não é? Quis saber Célia. 
--Não sei do que está falando. Continuou o rapaz. Você é minha mãe? 
E uma dor lancinante perscrutou-se no âmago da mulher. 
- Não, eu, eu... 
E a mulher levantou-se. Suas forças pareciam ter evaporado com a comida. Pegou a panela e deu de ombros. 
Mas o Droper a seguiu, falando sem que ela virasse. 
-Espere, espere, eu nem sei quem você é. Queria agradecer. 
- Não importa quem eu sou. Disse a mulher decidida a não revelar a verdade-O importante é que está bem e agora tenho que ir. 
-Mas espere. Eu preciso que me ajude. Eu não me lembro de nada. Nem sei quem eu sou...
De repente a música do amor genuíno tocou no coração da mulher dando-a uma ideia:
- Está bem. Vou te ajudar, mas não contarei nada. Você terá que descobrir sozinho, tudo bem? 
-Claro. Concordou o jovem. 
Os dias, semanas e meses foram passando e ela foi promovida de completa desconhecida a melhor amiga na mente do rapaz. 
Mais meses se passaram e para a surpresa das convenções ele, dez anos mais novo, apaixonou-se por ela. 
Então, numa noite, sob a luz das estrelas, Hélio se declarou e os dois se beijaram. 
Naquele momento algo maravilhoso aconteceu:
As lembranças do Droper retornaram e ele envelheceu.
E o amor entre eles aumentou com a idade cronológica. 
Pouco tempo depois... 
O Droper e sua amada casaram-se e se tornaram a maior dupla de combate ao crime, pois ele tinha o poder do eclipse e ela o do coração. 


Exterminando a matemática





Exterminando a matemática

Ao iniciar o ano letivo, a turma do terceiro ano recebeu sua primeira professora na sala, dona Margarida. Ela era uma mulher de meia idade, com seus oclinhos teimosos em apontar para baixo.
As crianças não tinham recebido o currículo do semestre, por isso não sabiam o que ela lecionaria. 
E a professora iniciou sua aula. Com a voz esganiçada, mas baixa, disse:
-Um e um não são dois. Eu vou provar através de um teorema que criei. 
Bocas e olhos arregalaram-se como ecos por toda a sala. 
Agora eles sabiam o que ela ensinaria:matemática. 
E ela seguiu:
-A matemática é exata, mas se nós entendermos como exata uma fórmula pronta, indefinida como as cores de uma libélula em formação, corremos o risco de não a vermos desabrochar como uma borboleta e ela nunca ganhará asas. 
Alguns alunos já começavam a bocejar e deitar nas carteiras, revelando suas desaprovações à explicação. 
Mas ela prosseguia mais animada como se o tédio a alimentasse. Uma contradição que poderia beirar à loucura sob a égide psicológica. 
-Por centenas de anos, os cientistas se empenharam em investigar o mundo, mas sob o ponto de vista deles. E hoje muitas de suas teorias são em parte ou no todo refutadas por pesquisas seguras. Se eu repito o um duas vezes será ele mesmo. 
-Mas isso seria divisão e não adição professora. Interrompeu-a Suzana, a aluna intelectual da primeira fila. 
-Mas eu estou falando sobre o mesmo número. O um mais o um mesmo é ele mesmo. Agora se eu disser. Um, mais o outro um dai é correto dizer que são dois. A dificuldade em entender matemática começa na maneira em que ela é transmitida. E vamos mudar a partir de agora nossa maneira de falar. 
E logo ela havia transformado a aula numa espécie de quartel nazista empenhado em destruir toda a forma de nomenclatura impura dos números.
Foi então que Renan, o menino quieto que se sentava no fundo levantou a mão e a professora deu-lhe permissão para falar. 
-Professora, eu também formulei um teorema. 
-Ah, que ótimo! Pode então vir ao quadro mostrar? Sugeriu dona Margarida. 
E o menino, dirigindo-se a frente, escreveu:
"Professora Margarida- Matemática=filosofia."
E sublinhou a última palavra. 
A professora pôs-se a chorar. Mas o garoto sentiu-se tão culpado que pediu desculpas e a abraçou. 
Mas ela disse enquanto secava os olhos com a blusa. 
- Não, querido, eu estou chorando de emoção porque você é o único que percebeu nessas duas horas de aula que sou professora de filosofia. Obrigada! Disse com a voz embargada enquanto devolvia o abraço. 

Os noitinados



Os noitinados

Era uma vez uma velhinha que colecionava bonecos de pano. Ela adquirira esse hábito desde que ficou viúva. Como não tinha filhos, cuidava deles como se fossem seus próprios filhos. Até conversava com eles. Isso a ajudava a não sentir-se sozinha e a passar o tempo. 
Uma noite, algo caiu do céu em seu quintal. Saiu para verificar o que tinha acontecido com um deles no colo, que chamava de"meu caçula". 
Viu uma grande pedra semelhante a um bloco de cristal. De sua extremidade saíram vários homenzinhos. 
Aquela visão inusitada fez a mulher aproximar-se curiosa. Pegou um deles e indagou:
-Quem são vocês? 
-Somos os Noitinados. E viemos com uma missão. 
-Que missão? 
-Pela manhã descobrirá. - Respondeu o líder.
E a velha senhora acordou junto com os primeiros raios de sol. 
"Era só um sonho"pensou
E em instantes vozes vindas de todas as direções ecoaram pela casa:
-Mae, mãe... 
Seria possível? A velhinha quase não acreditou.
Cada um dos bonecos de sua coleção haviam ganhado vida tornando-se humanos. 

Pedro@





Pedro@

O sobrenome de Pedro é Arroba. É ela mesma, aquela figura estranha e meio complicada que integra os e-mails. 
Os e-mails eram os alunos mais populares de sua escola, a Internet, e sem dúvida, o contrário do que assistimos nos filmes de Holywood. 
Eles não eram os mais fortes, atléticos , artistas ou mais bonitos. Embora pudessem ter essas qualidades, não eram absolutamente necessárias para que uma cadeira fosse ocupada entre eles. Só precisavam de um destaque em ciências. Isso porque a Internet era uma escola para superdotados. 
Um dia, uma garota de nome Wendy entrou na escola, pois tinha sido aportentada por ser filha do cientista de maior nome do mundo, Wesley Downson. E foi conduzida para a turma dos Emails que tinham suas aulas exclusivas. 
A expectativa em torno da provavel nova maior gênia de ciências era colossal.
O período foi se desenrolando e com ele, a revelação nada esperada:A garota não tirava notas excelentes nas matérias exatas, apenas em humanas. 
Mas como assim? E aquela história de que o DNA transmite as características de pai para filho? 
Contudo, do pai só puxara os cabelos loiros e enrolados. Da mãe, herdou o gosto pela literatura. 
Pedro @, o líder do grupo, ao perceber a deficiência da garota, expulsou-a dos Emails. Os que não se encaixavam eram eliminados como baratas massacradas. 
A garota não se preocupou com o fato de não ser considerada suficientememte inteligente. Para a escola ela ainda era importante e sabia quem era. 
Então, mais para explorar suas potencialidades e dos demais, do que para desafiar os Emails, fundou a Tecnologia. Seus princípios baseavam-se na ideia de incluir a todos, pois cada um podia fazer contribuições significativas para o desenvolvimento individual e coletivo. 
O sucesso da Tecnologia foi tão grande que logo todos os alunos que não faziam parte dos Emails passaram a pertencer a ela. Muitos talentos foram encontrados:pintores, desenhistas, escritores, dentre outros que antes eram ignorados. 
Um dia, Pedro @ soube que Wendy escrevia livros. Mesclando sentimentos de curiosidade e até descrença ,quis conhecer seus trabalhos. Escrever não era o ponto forte do rapaz. E foi ler umas poesias da garota, em um livro da biblioteca. 
Para sua grande surpresa ele não conseguia mais parar. Terminou de ler todas as poesias e iniciou a leitura de um outro livro dela, de Romance. 
Ficou muito admirado com a genialidade das palavras da moça. Como cada frase de seus livros poderia ser tão surpreendentemente arrebatadora?Como o fascínio dos sentimentos conseguia ser tão preciso? Logo aprendeu que a genialidade pode se estender além das fronteiras da ciência. E apaixonou-se, apaixonou-se por aquela que um dia havia rejeitado. 
Depois de muitas tentativas de aproximações e fracassos, finalmente Wendy concordou em sair com o rapaz. 
Mas Pedro teve de prová-la que não era mais o mesmo rapaz preconceituoso. Até desfez os Emails e entrou para a Tecnologia. 
Os dois então iniciaram um namoro e depois se casaram. 
Logo alguns enunciados foram espalhados pela Internet:1- A Tecnologia dentro da Internet é superior aos E-mails, 2- Com a defasagem dos Emails, o Arroba tornou-se menos complicado e mais simples e 3-Antes da Tecnologia,o Arroba não existia.