Xadrezando
Sabrina acordou às cinco e meia com um forte estrondo.Estendeu os bracos para silenciar o seu velho despertador e foi só então que lembrou-se que era sábado e não precisava ir à escola. Voltou a dormir, mas por pouco tempo. Dentro de dez minutos seu quarto ja recebia visitas.
-Feliz aniversário dorminhoca! Disse a mãe abrindo as cortinas.
Sabrina, que estava fazendo dezesseis anos empertigou-se na cama com um meio sorriso.
-Trouxemos um presente que achamos que irá gostar. Parabéns filha! Completou o pai entregando-a um pequeno envelope alaranjado.
-Obrigada. O que é?
-Abra. Incentivou a mãe.
E rasgando o envelope ansiosa a garota teve uma notável surpresa:um ingresso que dava direito a participacão no maior campeonato mundial de xadrez, seu jogo favorito. Seus olhos arregalados demonstraram a surpresa.
-Xadrezando? Uau! Obrigada! Adorei! Disse a moça abraçando os pais.
- Que bom que gostou, querida. Adiantou-se a mãe.
-Mas como conseguiram? Quis saber a garota.
-Não foi nada-Respondeu o pai-Nós a inscrevemos no campeonato e ontem recebemos a carta-resposta dizendo que foi aceita.
Para participar no Xadrezando o candidato precisava enviar um vídeo provando que estava apto a concorrer com os melhores. Os pais de Sabrina haviam feito um vídeo surpresa dela que deve ter ficado muito bom.
-Sério? Vocês me inscreveram? Awn... E Sabrina deu um abraço neles, tão largo quanto seu sorriso.
Agora ela participaria do Xadrezando e conheceria seu tão admirado jogador número um do mundo, James Hugh. Parecia um sonho e mais do que nunca ela não queria acordar.
No dia do campeonato foi incrível! A garota deu tantos checks Mats que só com a metade já poderia ter recebido o prêmio master. Sua vitória quebrou todos os records. O tempo para que seu rei chegasse a última casa teve a média de cinco minutos na soma de cada competição.
Logo, a moça já estava no pódio. No momento em que seu nome foi chamado viu alguém se aproximando.
- James Hugh? - Ouviu sua própria voz agora desejando que ninguém tivesse ouvido- a tremer, algo que ela sabia que acontecia sempre que falava o nome de sua paixão secreta.
- Sim, mas esse é para você- Disse James entregando- a um troféu. Vc merece.
- Obrigada. Espero que sim. Apertou gentilmente a mão de James com um sorriso enquanto pegava seu troféu.
Enquanto seu ídolo se afastava um outro rapaz se aproximava. Era Maurício, seu melhor amigo.
- Trouxe isso para você, se referindo a uma caixa de chocolates que era a sua favorita. - Sabia que iria ganhar e que depois precisaria de energia para se recuperar do gasto de adrenalina.
Disse o amigo gentilmente.
- Você é demais, Mau. Agradeceu a moça.
Os dias se passaram . Sabrina continuou treinando por horas em seu quarto, as vezes sozinha, as vezes com sua melhor amiga Jenna e por outras com Maurício.
Muitos campeonatos se seguiram. Em alguns ela vencia, outros perdia. Mas em todos eles seu amigo Maurício estava lá com sua família.
Por outro lado James , embora tenha sido visto em outros campeonatos pela menina, em nenhum deles ele a tratou como além de uma companheira de xadrez.
- Sem amizade , sem nenhum pedido de telefone, sem nada.
Reclamou uma vez Sabrina com a amiga Jenna.
- Talvez seja tempo de você dar uma chance a alguém mais.
Sugeriu a amiga tentando ajudar.
- E quem seria o doido? Perguntou Maurício que a acabara de chegar e ouvira o final da conversa.
Jenna aproveitou a deixa de Maurício e achou que era tempo de retirar- se.
- Acho que vou comprar uma pipoca para todos nós e já volto.
Disse.
Embora Sabrina conhecesse Maurício desde os 5 anos, sentiu- se de repente tímida e não soube o que dizer. Sentiu que algum clima estava no ar.
- Trouxe um suco pra vc.- Disse o amigo enquanto entregava- lhe uma latinha verde.
Então os dois conversaram e riram juntos.
Parecia que a amiga deles demorava mais para chegar do que estavam pensando.
Assim, Maurício aproveitou para se declarar a amiga.
Depois de muito clima e mãos dadas, a moça acabou cedendo e começaram ali um namoro.
Meses se passaram e agora James não passa de um jogador muito bom de xadrez para Sabrina.
Agora ela ama seu nelhor amigo que em breve se tornará se esposo, pois acabará de pedi- lá em casamento. E ela ouviu sua voz tremer dizendo : Mauu, Sim, eu aceito.
Karen Hutber
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