quinta-feira, 21 de abril de 2016

A menina pao



A menina-pão

Brenda era um pãozinho de cachorro-quente, se é que uma massa assada poderia ser considerada um alguém. Mas o fato é que ela era um pão e se via como uma menina. 
Não tardou para a menina- pão ver-se numa barraca de hot dogs em meio a seus companheiros de batalha. 
A vida para um pão ao contrário do que se parece não é fácil. Eles vivem apreensivos com medo de serem devorados a qualquer momento por uma criança em fase de crescimento, um mendigo esfomeado ou um gladiador qualquer. Pelo menos é como eles chamam os gordos salivantes. Essa última categoria para eles é a pior porque quando eles o tomam nas mãos, a guerra já foi vencida. Não há tréguas, nem esperança. Apenas uma morte rápida e ingrata. 
Brenda estava aflita. Seus dias de glória como um pãozinho inofensivo no calor interno de um saco plástico com a família estavam se extinguindo.
Agora estava sozinha. Havia sido embrulhada num saquinho que cabia só ela. Sua nova casa era um campo de concentração, branco e transparente, como um espírito deveria ser, pensou. 
Em meio as suas reflexões reparou que um homem, de meia idade portador de uma barriga saliente e olhos preguiçosos era o vendedor dos cachorros-quentes. Ele, culpado da chacina de milhares de pãezinhos inocentes seria também o seu carrasco. 
Foi ai que um homem mais jovem e magro e que parecia pertencer a categoria dos esfomeados pediu um cachorro-quente. 
Vários "não me escolha"gritaram dentro da cabeça da pãozinha. 
E o carrasco foi tomar um pão encolhido rumo a seu destino certo. 
Mas o universo ouviu um:"me escolha" e conspirou contra a menina que não conhecia a teoria que o universo não conhece o não. 
Acontece que o homem magro deve ter sido o autor dessa teoria porque foi nesse exato momento que ele disse ao vendedor:
-Eu quero aquele ali-apontando para a menina-pão. 
Com a salsicha e a maionese nas mãos do matador, pronto! Seu destino estava definido. Mais um pão com o futuro ceifado. 
Nunca ouvira falar antes que algum outro pão tivesse vencido a luta contra qualquer humano. 
Mas ela não poderia morrer assim, não sem antes lutar, não tão jovem, não como uma covarde, não... 
-Nãaaaooo-ouviu-se os gritos da pãozinha. 
Despiu-se do saquinho dos pães moribundos. Não precisava dele. Nunca precisou. E antes que o vendedor a agarrasse, deu um belo salto da barraca, escorregando para a liberdade.
Logo, correu, correu o mais rápido que pôde tentando atravessar a rua. 
Mas o sinal estava aberto e houve grande confusão. Carros buzinando e quase batendo uns contra os outros ao tentarem desviar-se dela. 
Foi então que Brenda acordou, sua respiração ofegante revelando que tivera um pesadelo. 
Levantou-se da cama e olhou-se no espelho. Ela não era um pão, mas uma menina. 
Dirigiu-se rapidamente à cozinha onde a mãe já havia posto a mesa.
-Mãe hoje não vou comer pão. Pensando bem, não quero comer pão nunca mais. 

Sopa de letrinhas


Sopa de letrinhas

Um jovem sábio passava tranqüilamente por uma ponte, quando viu um velho tentando se atirar. Então, se aproximou dele e implorou para que desistisse da ideia. 
-Dê-me um motivo -pediu o velho. 
E o rapaz respondeu-lhe:
-Se te atirares, eu também pularei e morrerei contigo. 
Mas o velho dando de ombros movimentou em sinal negativo a cabeça. 
-Ah, então duvidas? Tente e verás se não sou capaz. Mas além de teu corpo ser lançado ao mar, será ainda mais a tua alma culpada de duas mortes.
E o velho balbuciou:
-Talvez estejas ainda mais louco que eu. 
Mas o jovem prosseguiu:
-Não há motivos suficientes para a alma pequena continuar vivendo. Mas a alma grande deita sobre o sol e não se queima.
-Como assim? Quis saber o velho agora choroso. O que estás dizendo? Quem és tu? 
E respondendo o sábio disse:
-Uma resposta para cada pergunta. Terás todas no momento certo. E entregou-lhe um pacote explicando:
-Vá ao local em que moras, o azilo em que te sentes agora abandonado e faça esta sopa  que refrescará tua visão. 
E o velho deu uma leve estremecida quando o rapaz adivinhou o real motivo da tentativa de suicídio :morava num azilo e sentia-se imprestável, solitário no mundo, abandonado porque sua única família, sua mãe já não existia e não tinha amigos, por isso não via motivos para viver. 
Enquanto sua mente recapitulava essas ideias, ficou imaginando como aquele rapaz sabia, como se pudesse ler-lhe a mente. E parou de pensar para esconder seus maiores medos daquele estranho na noite. 
Decidiu seguir a sugestao do jovem.
- Essa pode ser minha última tentativa-pensou enquanto preparava a sopa de letrinhas -se não der certo... Ah, se não... E parou de pensar novamente porque pareceu-lhe que de alguma forma aquele rapaz continuava traduzindo seus pensamentos. 
Tomou uma concha da sopa e a pôs num prato de alumínio. Ela parecia tão quente e oleosa, como se fosse untar seu corpo para a morte. 
E sentando-se numa cadeira com uma colher, engoliu um bocado. De repente as letras começaram a embaralhar-se e formaram uma frase. 
"Eu te amo"
Esfregou os olhos pensando que pudesse estar muito cansado ou muito velho. 
Mas a sopa continuou:
"Por que duvidas? "
Dito isto, o velho foi sugado para dentro do prato quente e pousou num local que lhe pareceu muito familiar. Nele havia bondes, pessoas muito bem vestidas, músicas adoráveis e... 
-Espere-eu me sinto tão diferente, essas pessoas, essas ruas, eu conheço, sim, eu vivi aqui há...há cinquenta anos atrás?! -Sim, eu entendo, eu estou no meu passado! 
Depois desse diálogo interno ele correu para a garçonete da lanchonete por quem na época era apaixonado e falou a ela em alta voz pegando-a pelo braço:
-Eu estou de volta, estou de volta. Tive uma segunda chance! 
E a moça sorrindo mesmo sem entender pediu-lhe que explicasse melhor. 
Depois que o rapaz contou-lhe tudo, declarou seu amor a ela. Logo eles se casaram e tiveram uma grande família. 
Cinquenta anos depois... 
Muitos amigos e uma grande família estava sendo convidada para as bodas de Ouro de um velho rico e feliz. 
Na ocasião sua esposa perguntou:
-Já sabe quem era o jovem que te deu uma nova oportunidade e que afirmou te amar? 
- Sei sim-respondeu-era eu mesmo.  Nos somos os coautores com Deus de nossas novas chances porque somos detentores de nosso arbítrio. O meu amor próprio, mesmo que eu não o reconhecesse foi capaz de me salvar. 
Parabéns -disse a esposa sorridente. -Eu sempre confiei em sua sabedoria! 
E o casal voltou para a festa mais feliz do que nunca... 


Karen Rocha

Ambar, o menino dragao






Âmbar, o menino dragão

Num rigoroso inverno nevante, jovens universitários sobrevoaram a região visando pesquisá-la para um artigo da faculdade. Seus nomes:Lúcio, Ane e Rosa. 
Lúcio era o piloto, Rosa sua irmã e Ane, amiga dos dois. 
Porém,aconteceu algo que não haviam planejado. Próximo ao casarão, o avião perdeu a direção, sendo necessário que os tripulantes se ejetassem. 
O paraquedas era um objeto completamente estranho para as meninas. Só o conheciam pela televisão e não sabiam como usá-lo. Mas seguindo as instruções do piloto, pousaram próximos uns dos outros e em terra firme. Depois de adquirirem a percepção de que estavam vivos, gritos de alívio e abraços infiltraram-se na cena. 
O ar do local estava insuportavelmente gélido e monótono. Onde quer que olhassem, apenas árvores como noivas vestidas com a neve, dançaando ao ritmo do uivo do vento. 
Ficaram por alguns minutos apenas olhando para o céu e ao redor tentando capturar a compreensão do que havia acontecido. E foi Ane quem quebrou o silencio:
-Onde estamos? 
Lúcio adiantou-se:
-Calculo que pela força do vento que nos forçou a descer e pela orientação do painel até o momento do pouso, devemos estar a Oeste de nossas casas. Não tem como saber exatamente em que distância estamos. Mas é melhor irmos andando. Precisamos procurar algum abrigo. 
E os três andaram sobre o chão nevado até que anoiteceu. 
-Ok, ok, respira -disse mais para si mesma Rosa-Não sabemos onde estamos e nem como sair daqui não é isso? 
Mas Lúcio tentou acalmá-la. 
-Tudo bem , só precisamos pedir ajuda. 
-Pedir ajuda, mas para quem? -insistiu Rosa-Estamos sozinhos. 
-Não estamos não-respondeu Ane apontando para algum lugar no alto. 
Mas Rosa continuou retrucando. É claro que est... Mas conteve-se ao seguir o olhar da amiga. 
-Uau! Exclamou Rosa admirada. 
No alto de uma montanha próxima, havia um castelo gigante, incrivelmente belo e medieval. Era iluminado por seus vértices através de tochas enormes. 
-Precisamos entrar nele e ver se alguém pode nos ajudar-decidiu o jovem. 
E as duas concordando o seguiram de braços dados e com as pernas tremendo.
Próximo ao portão, que fora claramente derrubado, o capim do jardim foi revelando-se um grande matagal abastado, cono se estivesse há anos abandonado. Enquanto caminhavam, alguma coisa se mexeu. 
Pshii-pediu silêncio para as garotas fazendo-as parar. 
E caminhou lentamente até a origem do movimento. 
O medo e a curiosidade instalaram-se ali.
-Beeeeheee... -Era uma ovelha balindo que correu amedrontada ao tornar-se visível. 
-Hahaha-mesclou-se três risos. 
Ainda estavam rindo e conversando quando abriram a porta do castelo. 
Treeemm-dobradiças enferrujadas denunciaram sua falta de trabalho. 
Na entrada do Castelo, um luxuoso salão com estátuas de mármore, móveis de madeira antiga maciça e estofados sóbrios de refinados tecidos. As cortinas das janelas monumentais participavam do casamento das árvores e dançavam sem parar. 
Ao fundo, uma chaminé acesa e os jovens pararam para apreciar tudo aquilo. 
Foi assim que um rapazinho vestido como um príncipe europeu do seculo XIV aproximou-se. 
-Entrem, entrem. Moro aqui só e há muito tempo não recebo visitas. 
O trio entreolhou-se. 
Mas o menino entendeu a reação. 
-Eu sei porque estão espantados. Querem saber onde estão meus pais. Por que todos me perguntam isso? Eu não tenho pais. 
Foi Lúcio quem quebrou o gelo
-Nós só queremos usar o telefone. Podemos? 
-Eu não tenho um telefone. 
-Então pode ser a internet-acrescentou Lúcio. 
-Eu também não tenho internet. Respondeu o anfitrião. 
-Mas como alguém consegue hoje em dia fic... - retrucou indignada Rosa, sendo interrompida de imediato por Ane que falou em seguida:
-Nós entendemos. É que nosso avião caiu e estamos perdidos. Desejamos voltar para casa. 
-Mas onde moram? Perguntou o garoto. 
-Em uma cidade chamada Gledis. Nossas famílias devem estar preocupadas- Respondeu Lúcio. 
E como um homem maduro, o rapazinho disse:
-Os senhores podem acomodar-se aqui esta noite e amanhã eu os ajudarei a encontrar o caminho de casa. Meu mordomo Ulisses irá conduzi-los aos seus aposentos onde receberão um jantar reforçado. 
Um homem alto e magro dirigiu-se a eles, acenando educadamente
-Está bem, agradecemos muito-assentiu Lucio. 
-Dormir aqui? Disparou Rosa. 
E Lucio abraçando a moça sussurrou em seu ouvido:
-Só aceite. 
Mesmo com olhos de protesto, Rosa decidiu seguir os amigos até porque deixando a razão de lado, achou ótimo a ideia de se alimentar e ter uma cama macia para dormir. 
Depois de encherem seus estômagos com tanta variedade de comida que nunca haviam provado e que era sumamente deliciosa, tiveram dificuldades para dormir. A expectativa de voltarem para casa no dia seguinte os deixava ansiosos.
Rosa e Ane dividiram um magnifico quarto no segundo andar e Lúcio ocupou um no terceiro. 
Ao amanhecer, Ane foi a última a descer as escadas para se juntar aos outros dois que conversavam num tom que ela pôde ouvir:
-Mas ele disse que nos ajudaria-disse Lúcio para Rosa. 
Ao que a amiga retrucou:
-Ele, ele quem? Nós nem sabemos quem é ele? E se não for confiável? 
Mas o amigo replicou:
-Até agora pudemos confiar nele, não foi?
 -É mas e se ele... continuou Rosa, mas foi interrompida por Ane que até então parecia nem ter sido notada. 
-Hei, hei, gente não discutam, por favor e falem baixo. As paredes podem... vocês sabem. Podemos estar sendo vigiados. 
Lúcio pensou por um instante e retomou:
-Está certo. Não vamos esperar ninguém. Vamos. Chegamos até aqui sozinhos e é assim que voltaremos. 
As amigas olharam-se com cumplicidade e acompanharam o rapaz. 
Passaram pelo portão e por todo o Jardim e ninguém os impediu.Um ligeiro sol ameaçou descortinar-se das nuvens, mas foi alarme falso. 
O ar frio ainda tentava congelar seus pulmões, mas eles prosseguiram. Não sabiam novamente para onde estavam indo, mas decidiram caminhar em linha reta. 
Depois de algumas horas, algo muito estranho aconteceu. Por cima de uma montanha avistaram um incêndio. 
As garotas quiseram se aproximar um pouco porque seus pés estavam congelando. Mas o rapaz achou perigoso e pediu que não fôssem, mas que se dessem as mãos para se aquecerem. 
Em seguida, um grande dragão de cor âmbar saiu de trás da montanha vindo para a direção deles.
Assustados, soltaram as mãos e iniciaram uma fuga rápida correndo por todas as direções. 
E, como uma máquina de recolher entulhos, o grande animal agarrou com suas patas ossudas cada um dos jovens pondo-os em sua cauda e decolou. 
-SOCORRO... 
Vozes distintas imploraram. 
Mas o dragão parecia ignorá-los. Estava completamente decidido a seguir seu percurso. Foram ganhando altitude até que abaixo tornou-se apenas uma mancha branca. 
O vento parecia ser mais frio lá de cima. 
Enfileirados, seguraram tão firme a pele do seu captor até suas mãos ficarem doloridas. 
-Nao tenho mais forças. Acho que vou soltar. Confessou Ane. 
-Nãaao-fizeram um coral os outros dois. 
-Aguenta firme. Vamos ficar bem. Disse Lúcio tentando ele mesmo convencer-se. 
Para onde estavam indo? O Dragão iria comê-los ou queimá-los quando chegassem ao destino? Foram questões silenciosas que serpenteavam suas mentes. 
De repente, a mancha branca foi ganhando outras cores que tornaram-se cada vez maiores. Foi ai que perceberam que estavam descendo. 
E, com uma elegância de pluma, o animal pousou. 
Mas os três permaneceram parados, não ousando descer ou dizer nada. 
E o animal fez o mesmo. Somente fazendo um barulho semelhante a relinchar de vez em quando. 
Depois de minutos em silêncio, foi Rosa quem falou:
-Gente, vamos descer. Olhem,é Gledis. 
-Nao sei-respondeu Ane
-Não sabemos se o fato de ele não mexer seja uma armadilha. - Ponderou o rapaz.
-Se ele quisesse nos comer já teria feito. -interpôs Rosa. 
-Mas quem sabe não parou porque esteja ferido? -Disse Ane. 
-É, mas precisamos descobrir. Falou Lúcio decidido enquanto descia do animal. 
-O que está fazendo? Quis saber Ane. 
-Nao Lu, isso é muito Peri... 
Mas Lucio a interrompeu:
-Vou tentar atrai-lo para algum outro lugar. E assim saberemos se é uma armadilha, se está ferido ou quem sabe dormindo? 
-NÃO-pediu a irmã-por favor Lúcio. Pense nos nossos pais. 
-Precisamos tentar. -Encerrou Lúcio enquanto se dirigia para a frente da criatura. -Fiquem aí, se eu precisar me deem cobertura. 
Foi então que ficou frente a frente com aquele estranho. 
-Ei, bichano, vem me pegar. -provocou o rapaz correndo em zigue - zague. 
Não houve reação. 
Mas Lúcio insistiu:
-Vem, vem me pegar. Por que não se levanta seu monstro cuspidor de fogo? 
Mas o animal continuou como uma pedra, exceto por seus grandes olhos verdes que miravam o rapaz. 
De frente e parado, o dragão parecia muito mais assustador. Suas narinas pareciam cavernas flamejantes prontas a laçar alguém para seu interior, sua boca monstruosa lembrava-lhe a entrada de um trem fantasma. Seu tamanho fez o rapaz pensar que numa luta contra um tiranossauro rex, ele certamente levaria vantagem. 
Mas a criatura assim, permanecendo imóvel e sem reações, criou certa dúvida sobre isso.
De repente, o animal falou:
-Podem ir. 
As meninas se abraçaram e o rapaz arregalou os olhos. 
Não estavam acreditando. Aquela criatura medonha e tão temida era na verdade um animal dócil e que falava? 
Como podia ser? 
Mas o dragão continuou:
-Vocês queriam voltar para casa e seu pedido foi atendido. 
Dessa vez foram os três que ficaram paralisados. 
Mas o grande animal percebendo seus pensamentos, colocou sua cauda próximo a Lúcio. E as moças desceram, abraçando o rapaz. 
-Eu sei porque estão assim. Desculpe-me. Permitam apresentar-me. Me chamo Âmbar, o grande Dragão dos desejos. 
Ontem vocês me visitaram e me fizeram um pedido, por isso os trouxe para casa. 
E foi Rosa quem tomou coragem:
-Entao você.. 
Mas foi interrompida por Âmbar
-Sim, sou o garoto que conheceram. Sou um dos únicos sobreviventes dragões a sobreviver numa guerra. Fui escondido por minha mãe, por isso fui salvo. Um dragão só pode ser morto por outro.Depois da guerra, não havia mais dragões para matar-me por isso tornei-me imortal. 
Mas por que você se transforma em garoto? Perguntou Lúcio? 
-Sou como toda minha família era. Dentro do Palácio do Fogo sou humano. Fora, sou um dragão dos desejos. 
-E o seu mordomo? Quem é ele? Perguntou Ane curiosa. 
Meu tio Ulisses, líder do bando que destruiu minha família. Por inveja, conspirou com os inimigos para ocupar o Reino em lugar do rei, meu pai.
Depois da chacina, achei que tivesse sido o único sobrevivente, mas Ulisses apareceu no Castelo onde eu estava. Ele tentou matar-me, mas eu desejei que ele perdesse a memória. E, foi o que aconteceu. Desde então, ele me serve para ajudar as pessoas a realizarem seus desejos. 
-Que história! -Exclamou Rosa
-Surpreendente-completou Ane
-Mas agora você não está mais sozinho, pois desejamos que venha sempre nos visitar. Finalizou Lúcio com sinceridade. 
E os jovens, depois de despedirem-se do novo amigo, voltaram para suas casas. 
Uma semana depois, na faculdade... 

Um artigo foi apresentado por Lúcio, Ane e Rosa com o tema: Âmbar :O menino dragão. 

A nova rainha Ester





A nova rainha Ester


Havia um rei que tinha dez filhos. Ele já estava muito velho, por isso precisava escolher o novo rei. Chamou todos os filhos a sua presença, mas nenhum quis aceitar o cargo. Isso porque o país estava em guerra e ser rei poderia representar um grande risco de morrer pelos inimigos do governo. 
Assim expediu uma proclamação por todo o Reino dizendo que a partir daquele momento não haveria mais reis no país, a menos que alguém fizesse um ato nobre em uma semana que o tornasse digno de receber a coroa. 
Assim, diante do palácio real, de modo que todos podiam ver, dragões terríveis foram mortos, gigantes pavorosos foram desafiados e sujeitados e incêndios foram apagados... 
No sexto dia, o rei estava confuso. Qual de todos os atos feitos foi o mais nobre? 
Porém ainda faltava mais um dia para se decidir. 
No final do prazo viu uma mulher que estava implorando aos inimigos do rei que parassem com a guerra para salvar as pessoas. O rei sabia que esse pedido poderia representar a morte da mulher. Lembrou-se da rainha Ester da Bíblia e já sabia quem deveria substituí-lo. 
No dia seguinte a corajosa mulher foi coroada a nova rainha. 

O anel da sorte






O anel da sorte



Era uma vez um jovem lavrador. Como ele perdera o pai muito cedo, tinha que ser o provedor para ele, para a mãe e para os dois irmãos mais novos. Todos os dias levantava cedinho para colher hortaliças e frutas que seriam vendidas na feira. Mas o rapaz não gostava da tarefa e sempre resmungava:
-Mas que vida difícil. Ser pobre é muito chato. 
Certo dia enquanto saía para vender suas colheitas, deparou-se com um anão que despertou-lhe a curiosidade. Ele era velho e usava uma espécie de bata esverdeada rasgada e os sapatos bem grandes, desproporcionais ao seu tamanho. Sua aparência surrada causou-lhe certa comoção. 
Aproximou-se do pequeno homem e deu-lhe um saco de goiabas. 
O anão muito agradecido ofereceu-lhe algo em troca. Era um anel. Explicou-lhe que ele tinha poderes especiais para realizar um desejo. 
O jovem tomou o presente e guardou-o no bolso. E, antes que pudesse falar algo, o anão mordendo uma das goiabas desapareceu. Logo, o lavrador examinou o anel cuidadosamente aproximando-o dos olhos. Era um metal de brancura extraordinária e no centro havia a seguinte designação:"Faça um pedido". 
Colocou-o no dedo e respirou fundo. 
-Eu desejo ter muito dinheiro. Mas nada aconteceu. Simplesmente começou a sentir uma felicidade que nunca sentira antes. Aquele dia foi um dia de trabalho muito alegre. Vendeu mais que em qualquer outro dia. 
Depois disso, ele começou a trabalhar muito animado. Suas vendas foram dobrando até que percebeu que sua demanda era muito maior do que podia atender. Com o dinheiro da feira, abriu um mercado. E logo tinha vários mercados semelhantes. Assim, tornou-se muito rico e pôde ajudar muito sua família e outras pessoas. 
Passaram-se anos e ele estava no grande jardim de sua próspera casa. Sorrindo, olhou para o anel.
-"O meu duende da sorte-pensou-podia simplesmente tornar-me rico naquele dia, mas ele sabia que assim eu nunca estaria tão feliz quanto estou agora". 

Quem culpa o velotrol




Quem culpa o velotrol?



Era um sábado de inverno cinzento e Giane estava na sala de estar. Haviam tantos adultos com suas conversas enfadonhas a sua volta que ela não via outra alternativa senão procurar um meio de divertir-se consigo mesma. A solidão pode ter suas facetas positivas, inclusive o convite à criatividade. 
Seu olhos amendoados percorrendo pela casa pararam de repente. Ela teve uma ideia que poderia ser insignificante, mas não foi o que pensou. 
Havia um velotrol antigo que pertencera a sua irmã mais nova. Ele estava parado ali,sob escombros debaixo da escada e pareceu chamá-la. 
Retirou-lhe e observou que era bem pequeno. Examinou-o e viu que no Guidon havia um pequeno buraco onde antes encaixava-se uma borracha em que uma mão se apoiaria. E ficou brincando de colocar e tirar seu dedo indicador dentro dele, mas ao tentar tirar pela terceira vez ficou entalado. 
Foi até a sala e pediu ajuda para os adultos. Tentativas para arrancá-lo foram feitas: usou-se a força e também o jeito, depositando óleo de soja mas nenhuma delas logrou o êxito de mover o pobre dedinho. 
Ao contrário, na medida em que Giane ficava nervosa com a situação,o dedo engrossava, além das circunstâncias do que seria normal para um sangue que se encontra estancado. 
-GANGRENA. Seu cunhado ponderou alto. 
--O que? A menina perguntou. 
-Se não tirarmos logo seu dedo o sangue ficará preso e ele terá que ser amputado. 
-Amputado? Sua mãe interveio.-O dedo da minha filha não vai ser arrancado. Vamos ao médico rápido. 
Dessa vez a menina pôs-se a chorar e foi aquela confusão. Sua irmã tentando consolá-la enquanto colocava seus sapatos para irem ao hospital. 
- Não vai acontecer nada. Ele só está brincando. 
- Não estou não. Retrucou o cunhado. 
Em sua cabeça agora a angústia de ficar sem o dedo foi substituído pela dúvida. Mas preferiu apegar-se a última que trazia de alguma forma esperança. 
E a pedido da mãe a menina saiu com a irmã e o cunhado com destino ao hospital mais próximo. 
Ao tentar passar pela catraca do ônibus, precisou da ajuda do cobrador. Mas a menina ficou constrangida quando um garotinho choroso pedia a sua mãe que lhe desse aquele brinquedo. 
Naquele dia a fila dos doentes estava grande. 
E, depois de duas horas de uma espera aflita eles entraram finalmente no consultório.
O doutor aproximou-se e examinou o dedo da menina.Depois afastou-se com o cunhado para dizer-lhe algo.
Ao retornar deu a notícia:
-Receio que terei que cortar.
-O que? Meu de- de dinho? - gaguejou Giane.
- É o que falei. Seu dedo vai ser arrancado, cortado fora, mas você tem os outros nove nas mãos. Você não vai precisar desse. -Falou o doutor objetivamente.
Em seguida, ligou uma serrinha enquanto a menina fechava os olhos.
"Estou perdida. "Disse a si mesma. "Nunca imaginei que... "
Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo mutilador. 
-Pronto, acabou. 
-Aca-bou? Perguntou uma menina soluçante arregalando os olhos.
-Tivemos que cortar o plástico e seu dedo vai ficar novinho. Só precisará ir colocando gelo agora. 
-Ahhh-suspirou Giane sem entender.
Mas o doutor explicou sorrindo- Não sou médico, mas sim dentista e a serrinha que usei é de obturação.
E a menina censurou a peça do cunhado e do dentista que estavam em risadas enquanto tambem ria aliviada.

Contos de fados




Contos de Fados



Num belíssimo Castelo de contos de fados.... 
Ah, sim, este termo está certo. Acontece que para os fados todas as histórias de princesas são vistas de forma diferente. O cérebro masculino, desde o berço é uma pilha com o pólo positivo e o negativo. A objetividade é uma grande amiga e não são raras as vezes em que por isso minimizam suas idéias. Ou seja, categorizam algo como belo ou feio, sem meio termo; uma princesa loira ou uma morena. Assim, mesmo que existam várias princesas loiras, para eles todas são a mesma pessoa, pois não se prestam a maiores detalhes. 
Exemplificarei o conceito numa história ... 
Uma mãe estava contando uma história de contos de fadas para seus dois filhos gêmeos de seis anos, Alice e Nohan. 
No meio do enredo, a filha sonhadora começou a dormir. 
Mas o sono do menino chegava a galopes lentos, como o Príncipe da história, constratando com sua esperança de mais ação.
No fim da narrativa Nohan perguntou:
- Mãe, já acabou? 
-Sim, querido, vamos dormir. 
-Mãe, posso contar uma? Eu prometo que vou dormir depois. 
Como a mãe concordou meio contrariada, ele começou:
"Num Castelo vivia uma princesa loira que gostava de maçãs."
-A branca de neve não era loira fi... -mas a mãe se conteve ao notar o rostinho ansioso da criança. 
-Claro, é aquela da maçã-continue filho-disse a mãe. 
No meio da história, a princesa tinha tomado proporções de Cinderela dos longos cabelos que gostava de maçãs e anões , mas que depois tornou-se uma bruxa. E no fim, regenerou-se com um beijo de um sapo que virou Príncipe. 
Antes de dormir, naquela noite, a mãe havia aprendido que as emoções masculinos podem ser um bom tempero nas receitas românticas, pois aquele foi o conto mais delicioso que ela já ouvira.